Blog Pobre

Monday, January 31, 2005

 

Nossa Cidade

Rompi o ano em Aventureiros e lá fiquei por seis dias. Ficaria apenas três.Vi. Senti. E resolvi viver aquelas circunstâncias. Lugar agradável, pessoas agradáveis, dividíamos barraca eu e a areia branca e fina.
Fiquei num vilarejo beirando o rio Que Leva ao Mar, na subida pra cidade alta. O Que Leva ao Mar alguns dias enchia que ficava difícil saltar sem ser tragado por sua margem. Em minhas caminhadas pela praia visitava outros vilarejos ao longo dela. Havia um muito simpático, depois da pontezinha sobre o lago, no bosque, o caminho de areia branca e fina com bordas gramadas levava a um gramado com bordas de areia fina e branca. Sob a sombra de uma amendoeira onde brincavam crianças e dormiam seus pais eu era nostálgico. Eu sou nostálgico. Estar rumo aos trinta é um motivo para a nostalgia. E sempre ficava um tempo ali, parado. Intenso por dentro. Inerte no tempo. Aí escurecia e eu ia tomar banho. De noite encontrava Manuel e Raoni, eram as pessoas com quem passava mais tempo. Protagonizamos O banho de mar, obra poética que graças a ausência de câmeras fotográficas se conservará poética por nossas vidas.
Todos foram embora antes de mim. Passei dois dias sem amigos e sem ninguém pra conversar. Só o "seu Benedito" , mas eu não entendia o dialeto dele e depois de dois minutos eu desligava e ele continuava em monólogo. Estou voltando para lá amanhã. Sem amigos. Apenas livros. Ou eu leio, ou vou ter que me entender com o "seu Benedito".




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